Mas então uma nuvem teimosa, daquelas em tom de cinza-escuro resolveu esconder o sol. Problema não havia, pois minha sessão fotográfica terminara e tudo que eu via era aquele bando de pestinhas voltarem para o ônibus, acompanhados de suas rechonchudas professoras de voz doce que caminham feito focas. Só com muita paciência mesmo para suportar toda essa agitação pela manhã. Ainda bem que no caminho para cá, a minha se instalou. Não sei de onde veio, mas pouco importa. O trabalho estava concluído, pelo menos a parte chata. Era só levar tudo para casa e trabalhar agora na parte boa desse negócio, pelo menos para mim.
Editar as fotos e analisar cada expressão, fato e forma retratados é terapêutico. Gosto de conhecer as pessoas através de seus trejeitos e peculiaridades, coisa que minha mente distraída só me permite fazer em meio a programas de edição, revelações e toda essa parafernália dos infernos, que me traz o céu. Sento sobre a grama, com as pernas cruzadas, enquanto olho as fotos pelo visor da câmera, distraída. Até um cheiro particular atingir bruscamente minhas narinas alérgicas. Marlboro vermelho, o mesmo dos velhos cowboys da América, meu preferido.
Puxo forte a fumaça nociva que insiste em desfilar pelo meu nariz irritado, como num belo vício tentador. Fecho os olhos e levanto a cabeça, devorando o cheiro do cigarro e com uma forte vontade de acender um no mesmo instante. Mas prefiro continuar com a brincadeira que me instiga, flertando a fumaça e imaginando de onde ela vem. E principalmente, quem a solta.
Com a curiosidade típica, me viro lentamente, apenas com a cintura, apoiando as mãos na grama verde e ainda úmida de orvalho e avisto o depósito de nicotina da vez. E que depósito. A pele era branca, mas com um aspecto sujo, não de imundice,de falta de viço. A barba rala e malfeita camuflava um rosto anguloso, de maxilares largos e nariz afilado. Sombracelhas cerradas e grossas se encaixam perfeitamente naquela testa pequena, emendada com a cabeça mal raspada. Olhos pretos, pequenos e perdidos no horizonte observavam um casal de velhos passear com um grande São Bernardo babão e pesado. Ou talvez comia um grupo de garotas caminhar em volta do lago, com aquelas calças justas de ginástica que evidenciam todos os contornos graciosos de cada uma delas.
Pouco me importei. Me perdi em pensamentos sujos ao observá-lo apertar com os lábios finos e bem traçados o filtro alaranjado do cigarro, enquanto cerrava os olhos. Não parecia observar mais nada. A jaqueta grossa de um tecido que não reconheci estava repuxada até a altura dos cotovelos, evidenciando antebraços fortes e tatuados. Entre os pés, havia uma mochila velha e surrada, feita de couro e jeans claro, entreaberta e relaxada, assim como meus lábios estavam diante daquela visão que insistia em me deixar entorpecida.
Juro que me segurei para não tentar uma daquelas belas investidas vadias e baratas, que nenhum nerd no cio ou mero cafajeste resiste. Mas me controlei. Quis admirá-lo, não importa quanto tempo ele ficaria tão próximo, e ao mesmo tempo tão distante em pensamentos. Também quis fotografá-lo, num pensamento doentio de assim tê-lo por perto sempre. Tive vontade de devorá-lo, num instinto animal perdido entre o canibalismo e a sexualidade. Só não tive tempo de organizar todas essas idéias obscenas e sem sentido e o ver partir, carregando aquela mochila imunda em um dos ombros, enquanto o sol reaparecia por trás daquela (mal)dita nuvem.
Editar as fotos e analisar cada expressão, fato e forma retratados é terapêutico. Gosto de conhecer as pessoas através de seus trejeitos e peculiaridades, coisa que minha mente distraída só me permite fazer em meio a programas de edição, revelações e toda essa parafernália dos infernos, que me traz o céu. Sento sobre a grama, com as pernas cruzadas, enquanto olho as fotos pelo visor da câmera, distraída. Até um cheiro particular atingir bruscamente minhas narinas alérgicas. Marlboro vermelho, o mesmo dos velhos cowboys da América, meu preferido.
Puxo forte a fumaça nociva que insiste em desfilar pelo meu nariz irritado, como num belo vício tentador. Fecho os olhos e levanto a cabeça, devorando o cheiro do cigarro e com uma forte vontade de acender um no mesmo instante. Mas prefiro continuar com a brincadeira que me instiga, flertando a fumaça e imaginando de onde ela vem. E principalmente, quem a solta.
Com a curiosidade típica, me viro lentamente, apenas com a cintura, apoiando as mãos na grama verde e ainda úmida de orvalho e avisto o depósito de nicotina da vez. E que depósito. A pele era branca, mas com um aspecto sujo, não de imundice,de falta de viço. A barba rala e malfeita camuflava um rosto anguloso, de maxilares largos e nariz afilado. Sombracelhas cerradas e grossas se encaixam perfeitamente naquela testa pequena, emendada com a cabeça mal raspada. Olhos pretos, pequenos e perdidos no horizonte observavam um casal de velhos passear com um grande São Bernardo babão e pesado. Ou talvez comia um grupo de garotas caminhar em volta do lago, com aquelas calças justas de ginástica que evidenciam todos os contornos graciosos de cada uma delas.
Pouco me importei. Me perdi em pensamentos sujos ao observá-lo apertar com os lábios finos e bem traçados o filtro alaranjado do cigarro, enquanto cerrava os olhos. Não parecia observar mais nada. A jaqueta grossa de um tecido que não reconheci estava repuxada até a altura dos cotovelos, evidenciando antebraços fortes e tatuados. Entre os pés, havia uma mochila velha e surrada, feita de couro e jeans claro, entreaberta e relaxada, assim como meus lábios estavam diante daquela visão que insistia em me deixar entorpecida.
Juro que me segurei para não tentar uma daquelas belas investidas vadias e baratas, que nenhum nerd no cio ou mero cafajeste resiste. Mas me controlei. Quis admirá-lo, não importa quanto tempo ele ficaria tão próximo, e ao mesmo tempo tão distante em pensamentos. Também quis fotografá-lo, num pensamento doentio de assim tê-lo por perto sempre. Tive vontade de devorá-lo, num instinto animal perdido entre o canibalismo e a sexualidade. Só não tive tempo de organizar todas essas idéias obscenas e sem sentido e o ver partir, carregando aquela mochila imunda em um dos ombros, enquanto o sol reaparecia por trás daquela (mal)dita nuvem.